SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE PIRACICABA

Mamaço: uma atitude em defesa da saúde do seu filho e demonstração de afeto

5 de Abril de 2018 •

29/09/2017

Autoria: Dr. Pedro Mello

Durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno deste ano, organizada em Piracicaba pela coordenação da Atenção Básica, mais de 200 mães participaram do Mamaço, no Parque da Rua do Porto. Um momento de grande beleza pela espontaneidade e alegria geral. A tarde do dia 3 de agosto estava agradável. O efeito do vento era suavizado pelo sol, criando um clima adequado ao lazer. Pela metereologia, a expectativa era de chuva. A apreensão da equipe da Secretaria Municipal de Saúde (SEMS), que havia trabalhado intensamente para aquele momento, foi ganhando leveza conforme o sol mostrava sua força. Depois das formalidades da abertura e da apresentação do conteúdo didático, que fazia parte da programação, as mães, harmonizadas com o espaço, se deixaram fotografar, com seus filhos ao peito, para o registro da imprensa. Um sucesso.

Este foi o primeiro evento do gênero, organizado pela SEMS, a fim de dar visibilidade a um problema mundial: a baixa conscientização das mães sobre a importância do aleitamento materno exclusivo, até os 6 meses de vida, o que as leva ao abandono precoce dessa conduta fundamental à vida saudável do bebê. Para se ter uma dimensão do problema, a média mundial de amamentação, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de 37 a 39%. Em Piracicaba, estudos preliminares, elaborados este ano pela Coordenadoria de Programa de Alimentação e Nutrição (CPAN), indicam índices acima de 60% na maioria das Unidades de Saúde da Família (USFs) pesquisadas. Isso mostra sim o bom trabalho que temos desenvolvido, mas não é motivo de comemoração, pois a nossa meta é estar acima de 80%, visando o ideal: 100%. Por isso o trabalho da Semana, que se repetirá em nosso município nos próximos anos, sempre tentando mobilizar número cada vez maior de mães, para que elas se tornem replicadoras dessa atitude responsável e ampliem também o direito fundamental de amamentar seus filhos em público, onde quer que eles estejam.

Mas porque insistir na amamentação? Estudos comprovam o efeito negativo na saúde do bebê quando o leite materno é substituído por qualquer outro tipo de leite ou alimento. Aumentam muito as chances de ele se tornar uma criança ou adulto obeso; predominam problemas dentários decorrentes do uso de chupetas e mamadeiras, com risco de consequências graves e profundas no sistema respiratório, aumento das alergias e problemas faciais. Sem contar fatores psicológicos e comportamentais vastamente registrados na literatura médica. Ou seja, o leite materno, quando substituído de maneira abrupta e inadequada, pode desencadear uma série de fatores que jogam na contramão da qualidade de vida, com impactos futuros facilmente evitáveis. Não se deve, evidentemente, ignorar a dificuldade das mães em amamentar. Muitas trabalham e são o esteio da família. Não têm tempo para se dedicar ao filho como desejam. Infelizmente, são poucas as empresas estruturadas para que elas possam trabalhar e continuar amamentando. Mas o fator predominante é a baixa consciência e a desinformação. Porque é possível sim, trabalhar e continuar amamentando, desde que se tenha o apoio familiar e acesso a informação.

Na Atenção Básica, todas as unidades de saúde seguem o Manual da Amamentação, organizado em 2009, sob a coordenação da equipe do Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil, com informações sobre saúde bucal do bebê e os cuidados da mãe para com seu filho, para que a amentação seja um ato de afeto, com dicas, inclusive, de como se comportar em casos específicos, que possam prejudicar a amamentação. Há ainda o Protocolo de Puericultura, que traz detalhes sobre como deve ser o atendimento de bebês pela equipe médica e de enfermagem. Além disso, temos disponíveis online vários protocolos do Ministério da Saúde sobre manejo, promoção, incentivo e apoio ao aleitamento materno.

Nossa expectativa é muito positiva, e o Mamaço confirmou isso. Todo o trabalho do poder público municipal, visando a redução do Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI), tem surtido o efeito esperado e temos plenas condições de avançarmos ainda mais. Às mães, é fundamental o entendimento de que absolutamente nada substitui o aleitamento materno. Não existe leite fraco, não existe risco de a criança ficar subnutrida apenas com o peito. Amamentar corretamente, além de um ato de amor, é uma demonstração de que seu filho está sendo protegido de doenças e de complicações futuras, frutos do desmame precoce. O leite materno realmente vale ouro!

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