SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE PIRACICABA

Piracicaba não é a primeira do Estado em mortes por câncer

4 de Maio de 2018 • Romualdo Filho

 

Autoria: Secretaria de Saúde

Em matéria publicada no dia 29 de abril no Jornal de Piracicaba intitulada “Piracicaba é a primeira do Estado em mortes por câncer”, foi cometido um erro que não condiz com a realidade. Porque Piracicaba não é a primeira cidade do Estado de São Paulo em número de óbitos por câncer, como está enfatizado na manchete e reforçado na página A3. Entre as cidades com maior índice de óbito por câncer, de acordo com dados do próprio Observatório de Oncologia (https://observatoriodeoncologia.com.br), que embasa a notícia, Piracicaba está em 9º lugar no ranking.

Estão na frente de Piracicaba cidades como Santos (19.1), Jundiaí (16.1), Bauru (14.5), Santo André (14.3), Ribeirão Preto (14.1), Araraquara (14,0), São Carlos (13.9) e Presidente prudente (13,8). Cidades com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre alto e muito alto, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Portanto, com base em dados de 2015, entre as 5.570 municípios do país, em 516 deles a doença que mais leva ao óbito é o câncer. Isso ocorre exatamente nas cidades com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado, localizadas nas regiões Sul e Sudeste. E Piracicaba está na média das 50 maiores cidades do estado em relação ao coeficiente que indica a mortalidade provocada pela doença para cada 10.000 habitantes (13,5).

O câncer é o grande destaque no novo perfil epidemiológico do Brasil, pois mais de 10% das cidades do país passaram a ter a doença como principal causa de morte da população. Nas demais – com base em dados do Ministério da Saúde de 1998 a 2015 –, as doenças que mais levam ao óbito são as cardiovasculares. O número de casos de câncer cresceu nesse período 90%, ou seja, quase dobrou, enquanto as cardiovasculares tiveram aumento de 36%.

Estudos indicam que o câncer pode ser considerado uma doença vinculada ao desenvolvimento e à modernização das sociedades. Dentre as hipóteses que justificam essa tendência estão: o aumento da expectativa de vida e consequente mudanças genéticas decorrentes do envelhecimento da população; o comportamento não sustentável de milhões de brasileiros que ainda são adeptos do tabaco; a falta de atividades físicas e o sedentarismo, que resultam na obesidade; a exposição excessiva ao sol, sem proteção; hábitos alimentares não saudáveis, com o consumo descontrolado de alimentos industrializados, especialmente embutidos, refrigerantes, além de alimentos com elevada concentração de agrotóxicos, etc.

Tanto é que a doença tornou-se um problema de saúde pública. Nesse sentido, a sociedade precisa envidar todos os esforços para conter essa nova epidemia. Esforços que devem ser intensificados na rede pública de saúde, bem como na rede suplementar e particular. Nesse sentido, Piracicaba, ao longo dos últimos anos, vem trabalhando intensamente com o objetivo de detectar com maior precocidade o câncer nos usuários da rede pública de saúde, dando ênfase às ações preventivas, uma vez que a doença, quando tratada em seu início tem chances de 90 a 95% de cura.

Para sistematizar esse trabalho existem no município:

1. A Coordenadoria em Programas de Alimentação e Nutrição (CPAN), que tem o papel de fazer diagnóstico da situação alimentar e nutricional da população e, assim, orientar as políticas públicas no município;

2. O Centro Especializado em Saúde da Mulher (CESM), onde as pacientes são orientadas na prevenção e exames diagósticos;

3. A Policlínica, onde são realizadas pequenas cirurgias, que previnem casos que poderiam desenvolver para níveis críticos da doença de pele; exames de endoscopia, colonoscopia, broncoscopia e laringoscopia. Lá funciona também o Núcleo de Atenção à Saúde do Idoso (NASI);

4. O Centro de Atenção às Doenças Metabólicas (Cadme), para prevenção e tratamento do diabetes e doenças metabólicas;

5. O Centro de Diagnóstico por Imagens, que ajuda no diagnóstico precoce da doença;

6. As Unidades de Saúde da Família (PSFs) desenvolvem núcleos de acompanhamento de pessoas que querem parar de fumar;

7. Em todas as 71 unidades de saúde da Atenção Básica é feito a coleta do papanicolau;

8. Foi desenvolvido o Programa Piracicaba Saudável, para incentivar as atividades físicas monitoradas junto aos usuários da rede pública de saúde e demais interessados;

9. Desde 2005, o governo municipal intensificou a instalação de academias ao ar livre e de centros de lazer por todos os bairros da cidade, para fomentar atividades coletivas e proporcionar a toda a população uma vida mais saudável;

10. No plano hospitalar, contamos na rede pública de saúde com dois centros de excelência no tratamento do câncer, como o Centro de Oncologia do HFC (Ceon) e o Centro de Oncologia da Santa Casa (Cecan).

Além de todo esse aparato, faltava ainda no municiípio um hospital especializado na prevenção, diágnóstico precoce da doença. Para suprir essa lacuna, está sendo construído em Piracicaba o Hospital de Amor, uma parceria entre a prefeitura municipal com a Associação Ilumina. A unidade terá o mesmo padrão do Hospital do Câncer de Barretos e contará ainda com uma scânia, que circulará pelos bairros da cidade realizando exames preventivos em toda a população.

Para o tratamento das doenças vasculares, como o infarto e o AVC, Piracicaba conta com a Rede Infarto Agudo do Miocárdio e a Rede AVC, que estão entre as poucos do Brasil credenciadas pelo SUS. O que fez com que em Piracicaba essas doenças não liderassem os casos de óbito, ficando em segundo lugar.

Há, portanto, um trabalho sério e criterioso por parte do governo municipal no sentido de combater o câncer e as doenças cardiovasculares, que são as principais causas de óbito no país, e tornar Piracicaba uma cidade onde a prevenção venceu esses que são os mais complexos desafios da modernidade. Os avanços dependem fundamentalmente da conscientização da população sobre a prevenção e da buscar dos serviços disponíveis.

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